FORMAÇÃO CATÓLICA TRADICIONALINSTAURARE OMNIA IN CHRISTO

MAGISTÉRIO

O assentimento religioso da inteligência e os limites do ato pastoral

A obediência católica é um ato racional e sobrenatural; não é a renúncia ao princípio de não contradição.

A natureza do assentimento

A doutrina católica distingue os atos do Magistério conforme seu objeto, intenção definitória e autoridade. À verdade revelada e proposta como tal deve-se fé divina e católica; às verdades propostas definitivamente, assentimento firme e definitivo; aos ensinamentos autênticos não definitivos, obséquio religioso da inteligência e da vontade. Essa distinção impede tanto o livre-exame protestante quanto a transformação de toda palavra pontifícia em definição irreformável.

O papel da inteligência

O obséquio religioso é precisamente um ato da inteligência. Ele presume uma disposição favorável, o exame honesto das razões apresentadas e a docilidade para com o ofício docente. Não transforma, porém, uma proposição contraditória em verdadeira. Quando surge uma dificuldade objetiva diante do Magistério precedente, o católico deve estudar, distinguir e suspender um juízo temerário, conservando o que a Igreja já definiu com maior autoridade.

Tradição como regra próxima

O Concílio Vaticano II declarou-se pastoral e evitou novas definições solenes. Seus textos devem, por conseguinte, ser lidos no interior da Tradição recebida. Onde uma formulação permite interpretação conforme o Magistério precedente, essa leitura deve ser preferida; onde a conciliação não se demonstra, permanece legítimo expor a dificuldade com reverência, precisão e disposição para o juízo definitivo da Igreja.